Ainda temos tempo. Ou não!

Fotografia de Montgomery Martin / Alamy

Fotografia de Montgomery Martin / Alamy

O Professor Alan Wallace sempre nos convida a refletir sobre o que seria de fato importante se estivéssemos cara a cara com a morte. Para a maioria de nós, a perspectiva será absolutamente diferente desta que temos hoje, neste momento, em que achamos que a morte é algo que vai acontecer em um momento muito muito distante.

O que será que as pessoas que estão morrendo têm a dizer sobre isso?

Bronnie Ware é uma enfermeira australiana que passou vários anos trabalhando em cuidados paliativos, cuidando de pacientes nos últimos 12 semanas de suas vidas. Ela reuniu os relatos de seus pacientes em um livro chamado The Top Five Regrets of the Dying (em português seria algo como “os cinco arrependimentos mais comuns de pessoas que estão morrendo”).

Aqui estão as cinco principais arrependimentos das pessoas que estão à beira da morte, testemunhados por Ware:

1. Gostaria de ter tido a coragem de viver uma vida mais fiel a mim mesmo, e não de acordo com as expectativas que outros tinham com respeito à minha vida.

“Este foi o arrependimento mais comum. Quando as pessoas percebem que sua vida está quase no fim e olham para trás com clareza, é fácil ver quantos sonhos não foram realizados. A maioria das pessoas não tinha honrado nem a metade de seus sonhos e morreriam  sabendo que isso se devia a escolhas que fizeram, ou não fizeram. A saúde traz uma liberdade que muito poucos percebem, até o momento em que já não a têm. ”

2. Gostaria de não ter trabalhado tão duro.

Este arrependimento foi citado por todos os pacientes do sexo masculino de quem cuidei. Eles perderam a juventude de seus filhos e a companhia do parceiro. As mulheres também falaram sobre esse arrependimento, mas como a maioria era de uma geração mais velha, muitas das pacientes do sexo feminino não haviam sido chefes de família. Todos os homens de quem cuidei lamentaram profundamente ter gastado tanto tempo de suas vidas no trabalho .

3. Gostaria de ter tido a coragem de expressar meus sentimentos. 

Muitas pessoas suprimiram seus sentimentos, a fim de manter a paz com os outros. Como resultado, eles se contentaram com uma existência medíocre e nunca se tornaram quem eram realmente capazes de se tornar.

4. Gostaria de ter ficado mais em contato com meus amigos.

Muitas vezes, eles não percebiam o quanto poderiam ter se beneficiado da  companhia de seus velhos amigos até suas últimas semanas de vida e nem sempre era possível localizá-los. Muitos tinham se envolvidos tanto em suas próprias vidas que tinham deixado amizades de ouro escapar ao longo dos anos. Eles sentiam arrependimentos profundos por não ter dado às amizades o tempo e a dedicação que mereciam. Todo mundo sente falta de seus amigos quando estão morrendo.

5. Gostaria de ter sido mais feliz.

Este é um arrependimento surpreendentemente comum. Muitos não percebem, até o fim de suas vidas, que a felicidade é uma escolha. Eles haviam ficado presos a velhos padrões e hábitos. O chamado “conforto” ou “familiaridade” havia tomado conta de suas emoções, e de sua vida em geral. O medo da mudança os fez fingir para os outros, e a si mesmos, que estavam contentes, quando no fundo, eles ansiavam rir de verdade e poder brincar novamente.

E você? Qual é o seu maior arrependimento até este momento? E o que você está disposto a fazer antes de morrer?

Trechos traduzidos livremente deste texto do The Guardian:
http://www.theguardian.com/lifeandstyle/2012/feb/01/top-five-regrets-of-the-dying

Um comentário sobre “Ainda temos tempo. Ou não!

  1. Fátima Santiago

    Jogar fora meu tempo, sentindo tédio e me fixando em pessoas e coisas que não levam à uma vida significativa.
    Estou disposta a ter uma vida significativa para mim e para o próximo.