Quando o chocolate acaba…

Esta semana apareceu para mim este texto doce e lindo, extraído do livro “When the Chocolate Runs Out”, do maravilhoso Lama Thubten Yeshe, fundador do FPMT (Foundation for the Preservation of the Mahayana Tradition) e professor do querido Lama Zopa Rinpoche (á direita na foto, bem jovenzinho, ao lado do Lama Yeshe).

Lama Yeshe and Lama Zopa Rinpoche, Kopan Monastery, 1980. Foto de Robin Bath.

Nós amamos chocolate. Talvez amemos tanto que em algum nível podemos acreditar: “Contanto que haja chocolate, serei feliz”. Esse é o poder do apego em ação. E com base nesse apego, criamos toda uma filosofia baseada no chocolate e ordenamos a nossa vida priorizando o chocolate. Mas às vezes, não conseguimos por as mãos em um chocolate. E quando o chocolate desaparece, ficamos nervosos, tristes: “Ai não! Não posso mais ser feliz!” Mas é claro que não é a falta do chocolate que nos faz infelizes; são as nossas idéias fixas e a nossa compreensão equivocada sobre a natureza do chocolate.

Chocolate, assim como todos os nossos prazeres e todos os nossos problemas, é impermanente – chocolate vem, chocolate vai, chocolate desaparece. E isso é natural. Quando compreendemos isso, nossa relação com o chocolate pode mudar, e quando você compreende isso profundamente, você verdadeiramente nunca mais terá medo de nada.

Em última análise, você não pode confiar no chocolate. O chocolate não estará sempre presente – quando você quer, não tem chocolate, e quando você não quer, lá está o chocolate na sua frente. Todos os prazeres transitórios são assim – e se a sua busca pela felicidade fizer com que você se agarre emocionalmente ao mundo sensorial, você encontrará muito sofrimento – porque você não controla o mundo dos sentidos, não controla a impermanência.

Mas não desanime! Há um outro tipo de felicidade disponível para você, a alegria que repousa profundamente na experiência do silêncio, uma alegria que vem da sua própria mente. Esse tipo de felicidade está sempre com você, sempre disponível. Sempre que precisar, lá estará ela. E você pode descobrir essa felicidade estudando a sua mente. Observar e investigar a sua mente é realmente muito simples, bem simples. Com a prática, onde quer que você vá, seja quando for, você poderá experienciar essa felicidade.

Afinal de contas, todos os seres desejam a felicidade. O desejo pela felicidade, em grande medida, dirige o mundo. Da produção do mais pequenino pedaço de doce à aeronave mais sofisticada, a motivação subjacente é a felicidade. Por baixo de todo o curso da história humana está a busca constante pela felicidade, ou, em certo sentido, a busca por mais chocolate e por um chocolate melhor.

Claro que todos nós sabemos que é impossível encontrar felicidade e satisfação duradouras por meio do chocolate. Chocolate nós sabemos onde encontrar – mas e a paz profunda e perene?

Tradução livre – Jeanne Pilli